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Revista Voz da Verdade

PRIOR VELHO como espaço de missão de um verbita


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PADRE VALENTIM GONÇALVES, missionário do Verbo Divino, cumpre a sua missão no Prior Velho
Um missionário na cidade a cuidar dos mais necessitados.

               

“Mesmo não tendo ido ‘para fora’, vejo que a minha missão se tem realizado plenamente no Prior Velho”. As palavras são do padre Valentim Gonçalves, missionário do Verbo Divino, que concretiza a sua missão de consagrado numa paróquia da diocese de Lisboa. Nesta edição da VOZ DA VERDADE, conheça uma vida inteiramente dedicada aos problemas dos mais necessitados.

Os missionários do Verbo Divino são uma comunidade religiosa e missionária que dão testemunho da universalidade da Igreja e da fraternidade. Seguem Jesus Cristo pela via dos conselhos evangélicos e vinculam-se ao seu serviço pelos votos de castidade consagrada, pobreza evangélica e obediência apostólica. Estão dispostos a ir onde quer que a Igreja os envie, mesmo que para isso tenham de renunciar ao país, à língua e à cultura. Esta disponibilidade é a característica essencial da vocação missionária dos verbitas.
Ao assumirem qualquer tarefa missionária, os missionários do Verbo Divino dão preferência às situações de maior necessidade, dedicando-se, sobretudo, aos pobres e marginalizados. Foi com estes propósitos que o padre Valentim Gonçalves, actual pároco do Prior Velho, sempre encarou a sua missão. Como missionário, o padre Valentim confessa que nunca pensou “ser pároco em Portugal”. Contudo, toda a formação específica que recebeu como missionário do Verbo Divino tem posto em prática no Prior Velho. Hoje, garante: “Mesmo não tendo ido ‘para fora’, vejo que a minha missão se tem realizado plenamente aqui. Sinto-me perfeitamente missionário, no meu trabalho no Prior Velho, nesta diversidade de pessoas”.

Proximidade das pessoas garante certeza da escolha
O padre Valentim Gonçalves é natural de Fafe, onde nasceu em 1945. Após a ordenação, em 1972, foi para Fátima onde trabalhou como professor, formador e reitor do Seminário do Verbo Divino. Esteve ainda em Guimarães, onde foi superior da comunidade, ecónomo e novamente professor.
Chegado o ano de 1989, o padre Valentim vem para Lisboa. Manteve-se como superior da comunidade, trabalhou na Musgueira Sul, deu apoio no refeitório dos Anjos e também a uma congregação que ajudava mulheres em risco, sobretudo mães solteiras. Todas estas experiências permitiram-lhe conhecer “os bairros periféricos e as zonas degradadas” da cidade de Lisboa. Contudo, em termos pastorais, o padre Valentim desejava “fazer alguma coisa que fosse mais específico de um missionário verbita”. Os missionários do Verbo Divino são chamados a anunciar o Evangelho onde ele não foi anunciado, mas também a despertar a consciência missionária de todo o baptizado e a prestar uma atenção especial às minorias (sejam étnicas ou religiosas), aos estrangeiros, aos que têm uma cultura diferente.
Respondendo às suas interpelações e às prioridades pastorais da sua congregação, o padre Valentim procurou uma comunidade onde pudesse realizar a sua missão. Foi então que conheceu as Irmãzinhas de Jesus, que estavam presentes no Prior Velho. “O encontro com as irmãs foi, de facto, um factor determinante para me ir fixando neste local”.
Chegado a esta freguesia do concelho de Loures, o padre Valentim começou a trabalhar na alfabetização de adultos, no meio do Bairro da Quinta da Serra, um local sem luz eléctrica, sem saneamento básico, numa total precariedade de condições.
Marcado pela “proximidade das pessoas”, o padre Valentim sentiu “uma comunhão com todas essas gentes”. Da mesma forma, acrescenta, as pessoas foram-se apercebendo que estava ali um missionário e começaram a ir ao seu encontro. “As pessoas vinham ter comigo partilhar os seus problemas e depois, juntos, procurávamos soluções”. Foram estes pequenos episódios que estiveram na origem do envolvimento deste missionário com a comunidade do Prior Velho e com as suas causas.

Uma comunidade que encanta pelos desafios pastorais
No início dos anos 90, o Prior Velho era uma comunidade onde as pessoas já se reuniam para celebrar a Eucaristia. Apesar de estar integrada na paróquia de Sacavém, tinha à sua frente o padre José Vieira, missionário comboniano, que em 1992 foi destacado para uma missão na Etiópia. “As pessoas pediram-me então para lhe suceder na condução da comunidade. Eu conhecia toda a realidade local porque vinha de um trabalho de mais de dois anos no meio do Bairro”, recorda o padre Valentim. A sua resposta só poderia ser uma: “Claro que aceitei e tudo foi feito em comunhão com a Igreja de Lisboa”.
Decorria o ano de 1992 quando este missionário do Verbo Divino passou a ser o responsável por toda a comunidade do Prior Velho. Procurou então dar continuidade ao trabalho desenvolvido. “De facto, foi uma comunidade que me encantou pelos desafios pastorais. Trabalhar com uma população muito heterogénea, multicultural, multiétnica, para mim, como missionário do Verbo Divino, foi um desafio tremendo. Tudo o que tinha aprendido podia pôr em prática aqui, no Prior Velho”.
Passados mais de quinze anos, o padre Valentim garante a actualidade da sua missão: “É isso que ainda hoje me anima e me encanta. O padre não ser ‘aquele que manda’, mas ser alguém que está presente, que sente os problemas da comunidade”. Concretizando, este sacerdote afiança que sempre procurou “estar com aqueles que estão mais fragilizados no contexto social”.
Todo o projecto paroquial é marcado pela atitude missionária do padre Valentim.
Porém, assegura, nem sempre foi fácil. “A nossa presença era muito modesta. E mesmo a construção do espaço onde está actualmente a igreja apresentava-se como muito modesta, o que nem sempre foi entendido”, recorda. “Por vezes, as pessoas têm a ideia de que a Igreja tem de se afirmar por aquilo que se vê ou por aquilo que se tem”. Para o padre Valentim, “essa não é a perspectiva de como a Igreja se deve afirmar: a Igreja tem de se afirmar pelo dinamismo de uma comunidade animada pelo Evangelho”. As estruturas materiais, acrescenta, “são apenas o apoio e suporte a essas dinâmicas, e não o contrário”.
Sempre trabalhou a pensar na comunhão das pessoas e em criar unidade na diversidade. Seja de povos, de culturas e até de religiões. Precisamente sobre a religião e as várias confissões religiosas existentes no Prior Velho, o padre Valentim não tem dúvida sobre o caminho de diálogo e de gestos que tem de ser seguido: “Se os séculos XIX e XX foram os séculos dos movimentos e das congregações religiosas, o século XXI será certamente o século das religiões e do diálogo inter-religioso”. Este missionário garante que já vive essa experiência no seu dia-a-dia. “As preocupações são comuns, pelo que não há melhor meio de realizar o diálogo do que procurando o bem da pessoa. Só assim estaremos a realizar o grande objectivo das religiões: ligar os homens entre si e religá-los a todos à fonte que os anima”.

A catequese como prioridade pastoral
A paróquia de São Pedro do Prior Velho só foi constituída como tal no ano de 1999. Nasceu de um desejo da comunidade e foi confiada à Congregação dos Missionários do Verbo Divino. No seio da família verbita, há muito que havia o desejo de assumir uma paróquia na área de Lisboa: “O objectivo era ter um espaço onde pudéssemos ter uma presença específica e, ao mesmo tempo, os seminaristas da nossa congregação tivessem também um campo para desenvolveram o seu trabalho pastoral”.
Os Missionários do Verbo Divino fizeram então um protocolo com o Patriarcado de Lisboa e, no dia 18 de Outubro de 1999, assumiram a paróquia. Por ser a única paróquia da diocese assumida pela congregação, o padre Valentim conta com a colaboração de seis missionários verbitas que estão presentes em Lisboa.
Em termos de pastoral, quais as prioridades numa paróquia como o Prior Velho? “Entendemos que a prioridade tem de ir para a catequese, ou seja, para o aprofundamento da fé”. O pensamento dirige-se sobretudo para a catequese da infância, da adolescência e da juventude, onde a paróquia tem cerca de três centenas de catequizandos a cargo de 25 catequistas. Há ainda a catequese de adultos, mas também o grupo de Jovens, o grupo de Oração de Taizé, que realiza um encontro na última sexta-feira de cada mês, ou a Legião de Maria. Como membro da Comissão Justiça e Paz dos Institutos Religiosos, o padre Valentim Gonçalves sente “uma enorme alegria” pelo surgimento na paróquia do grupo Justiça e Paz. O grupo da JOC é outro ramo importante da paróquia, uma vez que realiza um trabalho no meio do Bairro, “onde normalmente ninguém actua”.
A formação bíblica é outra das preocupações pastorais deste missionário do Verbo Divino. “Tenho o sonho de criar nos terrenos livres da paróquia um «Jardim Roteiro Bíblico», para fazer com que o caminho de aprofundamento da fé nasça da Bíblia”, revela o padre Valentim, que gostaria de concretizar este projecto neste ano, em que o Sínodo dos Bispos será precisamente sobre a Palavra de Deus.

Estabelecer pontes e derrubar barreiras
Nesta pequena localidade da periferia de Lisboa, a acção da comunidade converte-se num sinal eloquente da presença de Deus no mundo de hoje: “As pessoas, como membros de uma comunidade cristã, juntaram-se à população para exigirem um centro de saúde, para pedirem a vinda de um autocarro ao bairro, para exigirem uma travessia aérea sobre a auto-estrada para evitar mais mortes, para pedir que o correio fosse distribuído, para exigir que houvesse acesso à água”. Para este missionário do Verbo Divino, “isto é o mais genuíno do Evangelho”.
Esta dinâmica encontrada pelo padre Valentim estende-se também à população que veio de fora, sobretudo de África. Para este missionário verbita, a diversidade traz consigo muitos desafios: “Há muitos riscos, muitos perigos, muito problemas, mas o nosso papel de Igreja é ir tentando estabelecer pontes e derrubar barreiras”. Este é um trabalho “muito lento”, onde é preciso “não desanimar”.
Para atender às populações, o padre Valentim colabora com muitas associações e ONG’s, mas também com a autarquia, a junta de freguesia e a escola. “Ainda hoje de manhã tive uma reunião com os Médicos do Mundo”, exemplifica. “O que nos interessa é o bem da população, para que este local se torne cada vez mais numa terra fraterna”.
Com tanta variedade de pessoas e desafios, será que um missionário preparado para enfrentar todas estas situações por vezes não desanima? “Embora ainda estejamos longe de ser uma terra fraterna, não nos podemos deixar ir abaixo. Mesmo que a corrente mais presente no nosso dia-a-dia seja a da separação, nós, Igreja, temos de afirmar sempre que é pela comunhão e pela fraternidade que somos fiéis a nós mesmos”. Para o padre Valentim, este “é o maior desafio” que enfrenta desde o primeiro dia.

Diogo Paiva Brandão
fonte: Voz da Verdade
10 de Fevereiro de 2008

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